Luiz Fellipe de Carvalho
Entre linguagens que raramente se falam
A psicanálise e o Yoga descrevem a mesma inquietação por caminhos opostos. O trabalho de Luiz Fellipe de Carvalho acontece nesse encontro.
Trajetória
Desde cedo teve fome de entender como o universo funciona e onde o humano se encaixa nele. Passou por religiões e filosofias sem encontrar resposta inteira. Entre 1999 e 2010 foi atleta profissional de wakeboard — e foi ali, antes de qualquer livro, que teve o primeiro contato com autoconhecimento: os próprios limites, o medo, o que se faz com a conquista e com a derrota. A sociologia veio depois, e deu respostas parciais e, sobretudo, método.
A filosofia ocidental, porém, parecia limitada — presa ao materialismo, ao racionalismo, à performance. Começou a praticar Yoga em 2010 e formou-se professor em 2017. Já lia Freud; aprofundou-se na psicanálise a partir de 2018. Foi aí que percebeu um encontro de que quase ninguém falava — e que tem genealogia: o romantismo alemão, e Schopenhauer lendo os Vedas e o budismo para tirar disso consequências filosóficas.
O que mudou a escala foi a experiência da meditação. O racionalismo explica, mas não mostra. E a experiência trouxe uma pergunta que a teoria não respondia: o que é esse espaço vazio — de linguagem, de dualidades — que se sente ali? A Filosofia da Essência nasceu dessa pergunta.
Por muito tempo não soube o que procurava. Hoje diz que procura a si mesmo.
A Filosofia da Essência
Para a filosofia ocidental moderna, o ser humano se constrói: não há nada antes das escolhas, da história, da linguagem. A Filosofia da Essência parte do caminho contrário. Existe algo anterior a tudo isso — uma natureza que não é construída, não depende da memória e não se altera com a biografia. E a tese é que essa natureza não é uma abstração: pode ser experimentada, por um método antigo, descrito nos textos do Yoga há mais de dois mil anos.
Daí vem a divergência com a psicanálise. Para Lacan, o sofrimento nasce de uma falta estrutural — constitui o sujeito e não tem saída. A Filosofia da Essência aceita o diagnóstico, mas não a conclusão. O que a psicanálise lê como falta, a tradição indiana lê como confusão: a pessoa se identifica com algo que não é. E confusão, diferente de falta, pode ser desfeita.
Foto: Kakau Lossio
Atuação hoje
Atende em Brasília e online. Dá aulas, cursos e palestras sobre psicanálise, Yoga e filosofia. Atua também em consultoria organizacional pela Soul, onde trabalha com fatores humanos, saúde mental no trabalho e gestão de riscos psicossociais.

ATUAÇÃO
Psicanalista
Sociólogo
Escritor
Professor de yoga e meditação
Ex-professor na UnB
Psicanalista
Sociólogo
Escritor
ATUAÇÃO
Ex-professor na UnB
Professor de yoga e meditação
EM RESUMO
Luiz Fellipe de Carvalho é psicanalista, professor de Yoga e meditação, mestre em sociologia pela Universidade de Chicago e ex-professor da Universidade de Brasília. É autor de Homo Espiritualis: a vida além do ego (Labrador, 2026), primeiro volume da Filosofia da Essência. Vive em Brasília, onde atende e escreve.